sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um cheirinho a Escuridão


In A Filha da Escuridão
Estava a flutuar num mar de lágrimas, ostentando um longo e ornamentado vestido encarnado que ondulava ao sabor das tristes gotas…
O céu estava negro e eu lutava para me manter à tona, não podia desistir, não podia deixar-me afundar naquele sofrimento sem lutar pela minha vida. Conseguia ouvir soluços… alguém chorava e derramava as lágrimas nas quais eu me debatia contra a morte.
Subitamente, apercebi-me de que o azul das lágrimas era quase neutro em comparação com o vermelho do meu vestido que ocupava quase a totalidade daquele espaço. Como sangue… Sangue que teimava em espalhar-se por todo lado, entranhando-se na minha pele e na minha vida.
Já não lutava por me estar a afogar num mar de lágrimas, mas sim num mar de sangue… Deixei de respirar, já não conseguia manter-me à tona, o meu corpo teimava em afundar-se contra a minha vontade… Então desisti. Era demasiado difícil lutar contra a corrente que me puxava para o fundo… Desisti e deixei-me levar. Lutava para conseguir que os meus pulmões trabalhassem com a rapidez suficiente para me manter viva… mas era impossível.
O meu corpo não reagia. E eu não conseguia resistir àquela força que me puxava para a tranquilidade total – a morte.
Enquanto me deixava arrastar, voltei a ouvir soluços, soluços acompanhados de dor patente nas lágrimas de quem me afogava… olhei para cima uma última vez. Era Derek quem chorava lágrimas que se transformavam em sangue ao tocar em mim… Derek … Ele estava a sofrer e eu não podia fazer nada para o ajudar, para o confortar, para tirar a sua dor. Não podia deixá-lo sofrer assim e ficar a observar sem fazer nada.
Tentei respirar outra vez, voltar à superfície, amparar o meu amigo mas o meu corpo estava paralisado… Os meus sentidos estavam cada vez mais fracos, comecei a desaparecer pouco a pouco no sofrimento…
Não voltei à tona…

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